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Abelhas

Abelhas conta a história da exploração mercadológica do capital tanto social – via trabalhista – quanto ambiental – a poluição do ambiente. Figuram na pintura mulheres amamentando nas fábricas em condições insalubres de trabalho. O enfoque é sobre a indústria têxtil e seus danos que começam desde a plantação e colheita do algodão, manufatura do produto nas fábricas e o dano causado à água e ao solo nos ambientes onde são localizadas as indústrias: países de terceiro mundo sujeitos à periferia do capitalismo global.

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Óleo, acrílica e spray s/ tela
Dimensões variáveis

2016/17

À conta-pelo/tecelã

Na pintura À contra pelo/tecelã, Marcela Cantuária elabora uma narrativa vinculada à perspectiva crítica feminista para evidenciar as dinâmicas de opressão que estruturam a nossa sociedade.

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Óleo e acrílica s/ tela
110 x 185 cm
2017

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A tropa

A pintura A tropa baseia-se na pré-figuração de um futuro distópico. Há em formação um exército de robôs femininos dentro de uma biblioteca em ruínas, índice da própria cultura e da natureza que cresce selvagem em comunhão com os livros. Ao pé da tropa, figura no tapete a imagem de Lenin e fuzis, identificando a formação como possíveis trabalhadoras do futuro. 

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Óleo, acrílica e spray s/ tela
144 x 214 cm
2017

Fantasmas da esperança

A obra Fantasmas da Esperança tem como ponto de partida a narrativa ao avesso da história tida como oficial. A pintura traz como protagonistas pessoas que estiveram na clandestinidade, sofreram desaparecimento forçado, foram torturadas e mortas durante as ditaduras civis-militares na América Latina. A composição obedece ao formato da bandeira do Brasil, tendo a sua cor verde substituída pelo vermelho, uma vez que o significado de Brasil, no tupi-guarani, é vermelho feito brasa. No plano circular, o centro da bandeira representa o arcano da Estrela, do tarot de Rider Waite-Smith. O arquétipo traz a consciência do passado e nos faz crer na esperança de uma mudança profunda.

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Óleo e acrílica s/ tela e óleo e acrílica s/ compensado
320 x 450 cm
2018

Jamais uma estrela na bandeira do norte

De acordo com a curadora Clarissa Diniz, na obra Jamais uma estrela na bandeira do norte Marcela Cantuária lida diretamente com símbolos do poder, da colonização e da nação: fragmentada pela alegorização da artista, a cruz cristã surge em partes e de cabeça para baixo. A essas estruturas decompostas, Cantuária sobrepõe imagens adversas da formação e da atualidade do Brasil, contradizendo suas interpretações e sentidos oficiais.

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Óleo s/ tela
360 x 270 cm
2019

Minha era, Minha fera

Em Minha era, Minha fera, Marcela Cantuária trata de um tempo cindido. No contemporâneo, a artista identifica sintomas acerca das relações de pátria e fronteira: a onda migratória na Europa, a questão Palestina, a crise na Venezuela e as políticas anti-imigração de Trump. Na tela, os refugiados buscam o céu, enfrentam o oceano, tornam-se clandestinos, ocupam a extremidade de uma grade sustentada por militares. É o poder militar-imperialista que mantém as barreiras e marca oposição aos corpos no topo da grade – corpos em fuga da violência, da guerra e da crise política em seus países de origem. Vê-se uma fuga que é abandono e evasão. Contudo, é possível pensar uma fuga-brecha, uma busca por clareiras.

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Óleo, acrílica e spray s/ tela
350 x 240 cm
2018

Os mortos não estão mortos

Os mortos não estão mortos aborda através da composição a ideia de que a memória de lutadoras e lutadores permanece viva tanto na figura feminina central com punho em riste, como na natureza – cadeia de montanha, céu estrelado e a energia solar e lunar. Nas 4 laterais da pintura, existe uma tentativa de lograr uma moldura para o quadro, usando um background de cores, plantas e fragmentos de animais que remetem a vida no hemisfério sul, mais propriamente na América do Sul. Na primeira parte do tríptico está representado o Muiraquitã, amuleto utilizado na região norte do Brasil, criado por mulheres indígenas desde antes da invasão europeia ao continente americano. Esse objeto é tradicionalmente um presente e atrai prosperidade e abundância. Na terceira parte do tríptico, uma das obras mais significativas do artista Joaquín Torres García, América Invertida, de 1943, se sobrepõe à paisagem de estrelas e montanhas. A cartografia criada por Torres García é algo reforçado nesta pintura, como um lugar onde se norteia pela cosmovisão e reconhece o sul global como região central de cultura.

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Óleo e acrílica s/ tela
150 x 300 cm
2020

Que se possa sonhar

Que se possa sonhar discorre sobre desejos de revolução, fogo nos colonizadores, voos de liberdade e unidade com a natureza e tudo que nela vive. É uma pintura inspirada também na fauna e cores tropicais e que não apresenta uma figura histórica específica mas sim corpo sem rosto, braço sem tronco. Elementos simbólicos de luta permeiam o quadro: na primeira parte do tríptico, uma mulher faz de travesseiro a cúpula do planalto central em chamas, seu olhar sonha acordado. Na parte inferior esquerda, o esqueleto de um veado parece descansar da vida, representando a altivez e poder da floresta. Já no centro, entre abelhas e fuzis, surge, atrás da cadeia de montanhas estampadas com o mapa mundi, um punho em riste segurando uma foice e um pincel. O elemento central é a definição do papel do artista como agente de transformação social. A pintura está relacionada com o pensamento do muralismo mexicano, onde Marcela busca o engajamento através da arte.

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Óleo e acrílica s/ tela
150 x 330 cm
2020

Tudo que é sólido se desmancha no ar

Tudo que é sólido se desmancha no ar apresenta abordagens de ruína e transformação. Os tanques militares e o contexto retratado do pós-guerra denunciam a destruição inerente às políticas imperialistas e ao sistema capitalista, enquanto transversalmente à tela, a construção da linha de trem diz sobre a imaginação de um futuro engendrado pelo povo, que com suas mãos, articula peças do novo e avista, desde zonas mais cinzas, o destino utópico.

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Óleo, acrílica e spray s/ tela
190 x 290 cm
2018

Vietnã (parte do políptico Cartografia das Guerras)

Parte da pesquisa Cartografia das Guerras, Vietnã discorre sobre as tensões e conflitos no mundo, partindo da representação das experiências socialistas através do tempo e espaço até os dias de hoje.

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Óleo e acrílica s/ tela
20 x 32 cm
2017