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Marcela Cantuária desenvolve uma série de trabalhos que se desdobram sobre pequenos oratórios, estruturas de canalização de anseios que materializam a urgência das memórias insurgentes. O uso do oratório possui implicações simbólicas diversas, as quais consideram o mundo do misticismo e da fé como eixo de interesse de ampliação de imaginários frente às premissas modernas e progressistas. Aludindo também a teia cultural onde as representações de mulheres beatificadas passam a dar lugar às narrativas de mulheres heroínas e combatentes do patriarcado e do capital.

Essa nova série dá continuidade à conjuração de um reordenamento social e místico, apoiado em discursos políticos anti-sistêmicos que se desdobram em estratégias de rememoração. O oratório, mais do que outro suporte, agora serve como um pequeno monumento em prol da memória combatente, oferecendo uma centelha de esperança para as lutas que ocorrem nos territórios latino-americanos, realidade transtemporal, ampliando assim, através da produção contemporânea, suas preces por emancipação.

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Texto do curador Aldones Nino.

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