Salões da Mulheres

1º Salão Latino-americano y Caribeño de Artes / Salão das Mulheres
Óleo, acrílica e spray sobre tela
320 x 450 cm
2022
O 1° Salão Latino-americano y Caribeño de Artes / Salão das Mulheres (depois de Willem van Haetch) (2022) é um posicionamento crítico às representações geradas pelas referências espaciais e de orientação entre o eixo Norte-Sul e às tensões oriundas dessa relação. Tal representação transcende as leituras de mundo, e os pontos de vista, perpetuados através da história da arte, da geopolítica, e da literatura. Dando visibilidade à produção de conhecimento do Sul global e, dessa maneira, contrariando a lógica eurocêntrica onde outrora o norte patriarcal era apresentado como referência universal, Marcela Cantuária apresenta um novo vocábulo que problematiza e contrapõe a historiografia das exposições, enfatizando o protagonismo de mulheres artistas latinoamericanas.
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2º Salão Latino-americano y Caribeño de Artes / Salão das Mulheres
Óleo sobre tela
320 x 450 cm
2022
Marcela Cantuária dá continuidade ao gesto crítico iniciado em seu 1º Salão Latino-americano y Caribeño de Artes / Salão das Mulheres (2022), reconfigurando mais uma vez os cânones visuais da história da arte. A obra opera uma contraimagem a partir de em The Tribuna of the Uffizi (1772-1778), de Johan Zoffany - pintura encomendada pela Coroa britânica para registrar o acervo da Galeria Uffizi, em Florença, espaço que, desde o século XVI, funcionava como uma espécie de cofre das joias artísticas da Europa. A partir dessa referência, Cantuária propõe um deslocamento radical: desocupa o templo eurocêntrico e inscreve, em seu lugar, outras presenças, outras narrativas, outros tesouros. Surgem 31 artistas do Sul Global, resultando em um gabinete fabulado de insurgência e memória. O salão deixa de ser vitrine e se torna corpo político - laboratório de fabulações, onde as mãos femininas, essas mesmas que foram historicamente invisibilizadas, moldam narrativas, erguem mundos e encantam o presente. Outrora cofre de exclusões, é agora oferecido como santuário da memória insurgente. Ao reimaginar o Uffizi, Marcela propõe um vocabulário visual que escapa à lógica do arquivo ocidental. Sua pintura convoca uma constelação de presenças que - ainda que vindas de geografias diversas - compartilham uma genealogia de resistência, saber e criação. Um relicário construído pelas mãos do sul.
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3º Salão Latino-americano y Caribeño de Artes / Salão das Mulheres
Óleo e folhas de ouro sobre tela
150 x 200 cm
2025
No terceiro salão Marcela Cantuária se apropria de um dos símbolos máximos da modernidade museal ocidental. O Louvre, desde sua transformação em museu pós-Revolução Francesa, tornou-se paradigma do colecionismo universalista e do discurso de neutralidade do “patrimônio da humanidade”, pautado em espoliações coloniais e exclusões sistemáticas. Antes, como palácio real e símbolo do absolutismo francês, suas paredes testemunharam festas da corte, estratégias militares, prisões e massacres, projetando-o como palco de sangue e dominação. Retomar esse espaço é, portanto, confrontar a narrativa de universalidade eurocêntrica, assim como a herança de violência, exclusão e hierarquia. A escolha cromática desloca a experiência de templo austero para santuário fabulado, quiçá onírico, onde a cor encarna energia política e espiritual. O elenco de artistas é diverso e transnacional, atravessando temporalidades, geografias e linguagens. Não se trata de representar apenas o Sul Global em oposição ao Norte, mas de abordar genealogias de resistência, deslocamentos, diásporas e reencantamentos. Cantuária abre o Louvre ao (re)encantamento do porvir, onde múltiplas tramas erguem mundos que escapam ao arquivo ocidental. É reivindicar o direito de reescrever a história dentro do coração de um dos maiores símbolos do poder ocidental.
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